A caminho da viabilidade do U-Space

A utilização e o acesso ao espaço aéreo por aeronaves não tripuladas nunca estiveram tão em evidência. O surgimento de novos projetos, o largo emprego dos equipamentos em diferentes verticais de mercado e, de forma geral, o uso crescente dessas aeronaves em todo mundo, fazem com que suas aplicações civis e a exploração dos equipamentos em toda sua capacidade, demandem cada vez uma utilização racional e otimizada do espaço aéreo.

Como hoje temos a produção e o uso crescente das aeronaves não tripuladas em todo o mundo, todas suas aplicações civis precisam estar limitadas a áreas restritas, como campos agrícolas, obras de infraestrutura, entre outros locais. Desta forma, o advento de novas aplicações, bem como o estabelecimento e desenvolvimento de aplicações como delivery de produtos e até mesmo o transporte de pessoas, estão atrelados não somente ao desenvolvimento dos projetos e novas tecnologias, mas também ao desenvolvimento de infraestrutura adequada e é claro, do acesso seguro e consciente do espaço aéreo para as operações. Observando tal necessidade, órgãos reguladores, indústria e universidades buscam unir forças e direcionam o desenvolvimento de um espaço aéreo democrático e seguro, que também abrigue todo o potencial de operação dos sistemas de aeronaves não tripuladas.

Fonte – imagem: DECEA

A XMobots é uma das empresas que tem trabalhado com o DECEA no estudo e desenvolvimento de sistemas de controle do tráfego aéreo por aeronaves não tripuladas (Confira informações sobre o XUTM – Sistema de controle de trafégo aéreo de RPAs: https://xmobots.com.br/xutm/). E entre os dias 14 e 17 de fevereiro de 2022, Décio Gomes Palhas Junior, Gerente de Certificação da XMobots, e Marcos Batista, engenheiro de desenvolvimento XMobots, foram convidados a representar a empresa no primeiro workshop do Projeto Simua (Safe Integration of Unmanned Aircrafts in the Airspace) promovido pelo DECEA, em São José dos Campos (SP), que também contou com a participação de uma comitiva sueca, composta por integrantes do projeto formada por representantes da SAAB, pesquisadores da Linköping University  e membros da Luftfatsverket – LFV (provedor de serviços de navegação aérea sueco).

Basicamente, o projeto faz parte de um escopo mais amplo, o Air Domain Study – ADS, com desenvolvimentos relacionados à capacidade de detectar e evitar “Detect and Avoid” aplicado à realidade das aeronaves não tripuladas e com o objetivo de viabilizar as mesmas capacidades dos pilotos de aeronaves tripuladas aos pilotos remotos, referente à identificação e ao desvio de obstáculos em voo, por meio de sensores inteligentes embarcados.

Segundo Capitão Jean Pierre de Castro Benevides, Chefe da Seção de Planejamento de Sistema de Aeronave Não Tripulada do DECEA, o desenvolvimento de soluções embarcadas viáveis em RPAs mais leves que 25kg (perfil das aeronaves que serão mais utilizadas em operações de delivery, por exemplo) é um dos grandes desafios no projeto.

E Major Jorge Alexandre de Almeida Regis, representante brasileiro no Painel de Sistemas de Aeronave Remotamente Pilotada (RPASP) da OACI (Organização Internacional da Aviação Civil, complementa: “Este tipo de evento proporciona ao Estado brasileiro, por meio da aplicação do conceito tripla hélice, a possibilidade de reunir em um único ambiente, a academia, a indústria e os órgãos reguladores, com vistas à pesquisa e desenvolvimento das soluções tecnológicas necessárias à integração do sistema de aeronaves não tripuladas. Uma vez integradas ao SISCEAB, as aeronaves não tripuladas trarão benefícios à comunidade como um todo, contribuindo, inclusive, para a implantação do conceito de mobilidade aérea urbana”.

Décio Gomes também vê com muito otimismo o cenário adiante: “O desenvolvimento de soluções deste tipo, aplicadas às aeronaves não tripuladas, contribuem cada vez mais positivamente para o grau de automação dos equipamentos e para uma inserção segura destes no espaço aéreo. Considerando o aumento da capacidade destes sistemas em “perceber” o ambiente ao seu redor, os benefícios trazidos pelo emprego destas soluções, passa a ser visto em cenários e ambientes cada vez mais próximos da população, que poderá, por consequência, usufruir destes produtos e serviços, com um nível satisfatório de segurança. A participação da indústria, junto aos órgãos reguladores e universidades, evidencia a cooperação e a confluência de interesses, no entendimento das necessidades de cada uma das partes, objetivando um crescimento seguro do mercado de aeronaves não tripuladas, e a inserção destes sistemas em cenários gradualmente mais complexos, com o aumento das capacidades dos sistemas, baseado em soluções embarcadas como as que serão trazidas por este grande projeto”.

Origem dos depoimentos: https://www.decea.mil.br/?i=midia-e-informacao&p=pg_noticia&materia=decea-recebe-comitiva-sueca-em-evento-dedicado-a-voos-nao-tripulados (Site do DECEA – publicação em 21/02/2022 – 10:05)

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