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40% dos drones no Brasil são usados no agronegócio

40% dos drones no Brasil são usados no agronegócio

40% dos drones no Brasil são usadas no agronegócio - XMobots

Drones invadem o campo: estimativa da consultoria PwC aponta que o uso do equipamento no país é superior ao resto do mundo.

Praticamente desconhecidos até meados de 2010, os drones, pequenas aeronaves sem tripulação, comandadas à distância, vêm aumentando sua presença em diversas atividades, com destaque para o avanço expressivo de seu uso nas fazendas. O ritmo de crescimento desse mercado no país tem surpreendido até mesmo os fabricantes dos equipamentos.

Há estimativas de que o Brasil se tornará, em dois anos, o terceiro maior mercado mundial de drones na agricultura. Ele ocupa a décima colocação no mercado mundial de drones com aplicação na agricultura. Os primeiros colocados hoje são Estados Unidos, Europa, Canadá e Argentina. A projeção de crescimento do mercado de drones no Brasil se baseia em estudos dos analistas da empresa e no potencial da produção agrícola brasileira.

Desde que foram definidas as regras para utilização dos drones (há um ano, em maio de 2017), cerca de 40% das aeronaves não tripuladas estariam dedicadas a aplicações no agronegócio, segundo estimativas dos organizadores da feira DroneShow, realizada em meados de maio, em São Paulo. A participação é superior ao resto do mundo, que tem um percentual de 25%, segundo dados da empresa de auditoria PwC.

Além do agronegócio, outras atividades que vêm se utilizando da nova tecnologia são empresas de inspeção de obras, segurança, filmagens e fotografias profissionais, monitoramento e mapeamento, entre outras.

Uma das líderes na fabricação de drones no país, a XMobots tem cerca de 80% de suas vendas concentradas nos serviços de agricultura de precisão, que utilizam tecnologia para melhorar a produtividade no campo. “Está crescendo demais essa demanda”, diz Thatiana Miloso, diretora da empresa.

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Fiscalização Ambiental

“Na lavoura de cana-de-açúcar, o uso do drone já está instituído como um de seus insumos”, afirma Thatiana. A segunda principal demanda é de monitoramento ambiental. “Desde o acidente em Mariana (rompimento de barragem na cidade mineira, em 2015), a procura por esse serviço experimentou um boom.”

Apesar da atual concentração dos negócios no setor agro, a empresa prevê que novos segmentos estejam começando a buscar o serviço dos drones. “Detectamos um aquecimento em setores como construção civil e fiscalização ambiental”, diz o CEO da companhia, Giovani Amianti.

A mão de obra envolvida nas atividades com os drones é um tema à parte e com diferentes ângulos. Os fabricantes de drones se queixam da dificuldade em encontrar no mercado profissionais com o perfil necessário que desejam contratar, de formação híbrida: que somem conhecimento de tecnologia e desenvolvimento de software associado à experiência na área agronômica, engenharia florestal e afins.

Por outro lado, a chegada da eficiência dos drones às lavouras tem feito “rolar cabeças” de profissionais de topografia e cartografia, que teriam perdido competitividade diante da nova eficiência tecnológica. “Houve uma quebra de paradigma de eficiência, por isso a redução de postos de trabalho”, diz Giovani.

Segundo ele, enquanto um empregado topógrafo realiza trabalho em cerca de 10 hectares por dia, utilizando o método de medição antigo (de levantamento de altitude e longitude), um drone realiza 500 hectares no mesmo tempo, resultando em um projeto digital muito preciso. “Desde então, descobriu-se que ocorriam falhas de até 30% nas colheitas devido a imprecisões”, revela Giovani.

Existem 41 mil equipamentos licenciados para operar no país, de acordo com os registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). No entanto, entre os profissionais do setor, a percepção é de que o número de aeronaves em atividade esteja bem acima disso. “Atualmente, deve haver cerca de 120 mil equipamentos em operação no país, com ênfase nas áreas de agricultura e de serviços de filmagem e fotografia”, calcula Giovani Amianti, da XMobots. “Posso garantir que existem no Brasil mais de 100 mil drones em operação”, afirma o diretor e organizador da DroneShow, Emerson Granemann.

Mesmo entre os números subdimensionados da Anac, o crescimento de equipamentos registrados tem sido veloz: enquanto em outubro de 2017 existiam 22 mil deles cadastrados para operação no país, em abril deste ano, ou seja, cinco meses depois, esse número passou para 41 mil. Em meio à efervescência nas atividades do setor, em maio foram licenciados pela Anac os primeiros pilotos para operações acima de 400 pés em modalidades específicas de espaço aéreo.

 

Operadores

O mercado de drones do Brasil possui hoje 9.500 operadores registrados no Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Em julho de 2018, havia 43.621 pessoas cadastradas para operação de drone na Anac (das quais 41.262 pessoas físicas e 2.359 pessoas jurídicas). No mesmo período em 2017, essa quantidade era de 12.514 pessoas cadastradas (11.693 pessoas físicas e 821 pessoas jurídicas).

Há diversas empresas fabricantes de drones que oferecem cursos livres de pilotagem, com etapas teórica e prática e preços variados. São indicados apenas para os modelos menores de aeronaves (que representam praticamente 90% do mercado), que têm limite de voo de 120 metros de altura, 25 quilos de peso limite e operação unicamente visual, ou seja, não pode ter pilotagem por instrumentos. Dentro dessas especificidades, não é necessário tirar licença nem obter habilitação legal.

Para operação de drones de maior porte, que alcançam maior velocidade e altura, além de peso superior a 25 quilos, é exigido o licenciamento junto à Anac. Nessa modalidade, foram aprovados os dois primeiros pilotos em maio. “Para passar em nossos testes, o piloto é submetido a vários exames: um dia de prova técnica, treinos e depois exames práticos”, diz o gerente técnico da Anac, Rafael Gasparini Moreira.

De forma mais abrangente, a análise é de que os principais problemas surgidos até o momento com a disseminação dos equipamentos, segundo a Anac, estão relacionados ao descumprimento das regras por desconhecimento da regulamentação. “Entre os mais frequentes estão o uso na cidade, o que é proibido a menos de 30 metros de distância de outro operador, e o risco de interferência no tráfego aéreo, como o recentemente ocorrido no Aeroporto de Congonhas, que ainda está em investigação”, afirma Rafael Gasparini.

 

Confira a matéria na íntegra: Globo Rural

 

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